Rio Preto: FIT terá 10 espetáculos internacionais em destaque
sexta-feira, 6 de julho de 2012O FIT – Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, que abriu 12.ª edição, reafirma o que parece ser a tônica dos eventos de artes cênicas deste ano: a ausência de estreias ou novas produções nacionais. A maior parte das montagens brasileiras já cumpriu temporada em São Paulo. “Um festival está sempre em busca do frescor. Mas também tem uma outra função, que é servir à cidade”, considera o crítico Kil Abreu, um dos curadores do evento do oeste paulista, que prossegue até o dia 14.
Assim como aconteceu nos festivais de Londrina e Belo Horizonte. E deve se repetir em Porto Alegre e Brasília, que já divulgaram suas programações, o foco em Rio Preto recai sobre os espetáculos internacionais. A tônica não difere do ano anterior, quando as atenções também se voltaram para as criações vindas de fora. Merece, porém, um reforço considerável.
Nesta edição, o FIT reúne a maior safra de produções estrangeiras dos últimos anos: são dez títulos. Em 2011, foram cinco e, em 2010, seis. “Não foi uma ação deliberada: aumentar o número de espetáculos estrangeiros. Mas, já que se trata de um festival internacional, é sempre bom quando conseguimos trazer mais produções.”
Entre os destaques da ala internacional, estão espetáculos que mereceram boa acolhida em outros países. É o caso de “White Rabbit, Red Rabbit”, obra do iraniano Nassim Soleimanpour, que passou pela última edição do Festival de Edimburgo. E também de “Mi Vida Después”, peça da argentina Lola Arias que foi vista no International Summer Festival de Hamburgo. A dramaturga, que vive entre Buenos Aires e Berlim, é um dos nomes mais interessantes da nova cena portenha. Neste trabalho, Lola revisita a não cicatrizada ferida deixada pela ditadura militar na Argentina. Em “Eletric Party Songs”, uma das três obras que o Workcenter de Jerzy Grotowski traz ao festival, a identidade norte-americana é tematizada não por meio de investigações sociológicas, mas com canções do poeta Allen Ginsberg. “Vivemos um momento que é tanto de afirmação da individualidade quanto de tomada das ruas”, aponta Abreu.
Trabalhos de companhias paulistanas também refletem a proposta curatorial. Em “Cidade Fim – Cidade Coro – Cidade Reverso”, a cia. Teatro de Narradores examina as formas de convívio no bairro da Bela Vista coletando depoimentos dos moradores. Procedimento semelhante embasa “Orfeu Mestiço – HipHópera Brasileira”. Aqui, o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos mira a ditadura militar a partir de uma narrativa pessoal. Conta a história de um juiz que é chamado a reconhecer o corpo da mulher desaparecida 20 anos antes. Observa um microcosmo para tentar ver além.
ALGUMAS ATRAÇÕES:
“La Pocha Remix – Psycho Magic actions against violence”
Espetáculo americano propõe reflexão sobre sonhos e pesadelos da atualidade.
“Romeu e Julieta”
Grupo Galpão comemora seus 30 anos revivendo seu maior sucesso: a peça de Shakespeare em versão dirigida por Gabriel Villela.
“I Am America”
Uma das três montagens que os italianos do Workcenter de Jerzy Grotowski e Thomas Richards levam a Rio Preto.
“Brecht: The Hardcore Machine”
Inspirado em poemas de Bertolt Brecht, o espetáculo trata da luta de classes com música e dança.
Fonte: O Estado de S. Paulo
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